Doença cardiovascular: uma ameaça à saúde das mulheres.

Doença cardiovascular: uma ameaça à saúde das mulheres.
"When women visit their doctor and list off multiple symptoms, it can be confusing to know what is wrong with them. In the past we called them atypical, but I see so many women with these symptoms, they’re now typical to me."
"Quando as mulheres visitam o seu médico e fazem uma lista de seus múltiplos sintomas, pode ser confuso saber o que está errado com elas. No passado, eram os os chamados sintomas atípicos, mas eu vejo tantas mulheres com esses sintomas que eles são agora típicos para mim. "
Jennifer tremmel, MD CliniC Diretor "WOMEN’S HEART HEALTH AT STANFORD"

A maior ameaça atualmente para as mulheres é a doença cardiovascular. Estatísticas sobre mortalidade nas mulheres Americanas apontam que a maior causa de mortalidade não é câncer de mama, ou mesmo todos os tipos de câncer combinados e sim doença cardiovascular.

Homens e as mulheres diferem em todo o curso da doença cardiovascular. O embasamento científico que resultou na redução da mortalidade para os homens nas ultimas décadas não mostrou a mesma eficácia quando de trata do sexo feminino, pois para elas, a mortalidade não diminuiu e possivelmente esta aumentando. 

A doença cardíaca nas mulheres em geral é diagnosticada tardiamente e frequentemente é subtratada. 

Pelo menos 20% das mulheres sintomáticas submetidas à cinecoronariografia apresentam coronárias normais conforme dados da Dra Jennifer Tremmel da Universidade de Stanford, o que é extremamente frustrante, pois, o procedimento não esta sendo efetivo para elucidar estes casos e ainda pode gerar consequências mais graves como o abandono da paciente a sua própria sorte, pois, considera-se que coronárias normais no cateterismo é sinônimo de ausência de doença coronariana embora, se saiba que nem sempre é assim, especialmente em se tratando de mulheres.

Os sintomas nas mulheres se apresentam de forma mais diversa que usualmente se apresentam nos homens. Elas têm sua maneira peculiar de definir e aceitar e a dor e o sofrimento. 

Para dar um exemplo desta diversidade na vida real: recentemente, uma senhora de 47 anos, compareceu na Cardiométodo para realizar um teste ergométrico que havia sido solicitado alguns dias antes. Na entrevista inicial informou que há alguns meses vinha apresentando desconforto precordial frequente, sem relação com os esforços e que, na noite anterior, havia procurado um serviço de pronto-atendimento, pois, a dor no peito a estava incomodando de forma persistente. No pronto-atendimento foi medicada com antinflamatório, pois, o diagnostico, foi de "dor muscular" sendo liberada para retornar para sua casa. Resolveu então, realizar o exame de esforço que estava agendado. Na clínica, onde rotineiramente é realizado um eletrocardiograma antes de realizar o exame de esforço, ficou evidente que apresentava infarto agudo, ainda em evolução. Nesta circunstância, o esperado seria um relato de dor importante, quase intolerável, no entanto, ela dizia resignada, em tom coloquial "depois tenho que ir para o meu trabalho só preciso que me tirem esta dor". Esta situação é grave e exige internação hospitalar imediata em unidade de cuidados intensivos (UTI). 

Se não houvesse um exame agendado, possivelmente teria comparecido ao trabalho já que esta era sua intenção. Quantos óbitos ocorreram em circunstâncias como esta?

É necessário avançar no conhecimento do comportamento da doença coronariana nas mulheres, atualmente pesquisadores da Universidade de Stanford estão conduzindo estudos comparando as variações anatômicas e ateroscleróticas, as taxas de disfunção endotelial e disfunção da microcirculação coronariana entre homens e mulheres, para buscar maiores informações sobre estas diferenças.

Mulheres com sintomas de doença cardiovascular devem exigir atenção e um diagnostico, não devem ter suas queixas subestimadas ou atribuídas a priori a problemas emocionais. Uma avaliação completa do risco para a doença cardiovascular através da realização de uma história clínica completa e exame cardíaco. Isso vai se tornar a base do plano de prevenção e tratamento. Testes adicionais podem ser necessários e devem ser realizados para um adequado esclarecimento.

De qualquer forma, com doença cardiovascular ou não, é muito importante prevenir através do controle dos fatores de risco cardiovascular para evitar a progressão da doença ou eventos cardiovasculares futuros. É fundamental adotar um estilo de vida saudável, buscando a saúde cardiovascular só assim as mulheres poderão continuar vivendo mais.

Fonte: http://stanfordhospital.org/cardiovascularhealth/womenHeartHealth/documents/Stanford-Women-Heart-Health-Program.pdf

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