Hipertensão arterial: novos parâmetros e algumas controvérsias

Hipertensão arterial: novos parâmetros e algumas controvérsias
O 8° Joint National Committee (JNC 8) publicou em dezembro último, novas orientações para o tratamento da hipertensão arterial do adulto. 

A hipertensão arterial  chega a acometer 40% da população, dependendo da faixa etária e, é amplamente conhecido que o controle adequado tem grande impacto na saúde, pois, se não for detectada precocemente, contribui para a ocorrência de várias doenças cardiovasculares como infarto do miocárdio, acidente vascular cerebral, insuficiência renal e morte. O tratamento a pressão arterial tem como principal objetivo diminuir a possibilidade do surgimento destas doenças e suas sequelas. 

Um comitê multidisciplinar composto por dezessete peritos foi convocado para atualizar as recomendações existentes em relação ao tratamento da hipertensão. Publicada em 18 de dezembro de 2013, a diretriz de 2014 para o tratamento da hipertensão arterial foi baseada em uma revisão sistemática de ensaios clínicos randomizados e controlados. 

O relatório final do comitê faz uma abordagem baseada em evidências, sendo elaborado a partir de ensaios clínicos randomizados, definidos como o padrão ouro para determinação da eficácia e efetividade do tratamento. O objetivo é recomendar limites de tratamento, metas e medicamentos considerados mais adequados no manejo da hipertensão em adultos. 

A questão mais relevante que esta gerando controvérsia é em relação aos limites tolerados para iniciar o tratamento, nesta nova diretriz  são sugeridos alvos menos agressivos no controle da hipertensão arterial do que os recomendados pela diretriz anterior (7° JNC). 

As novas metas estabelecem para o tratamento da hipertensão arterial que para pacientes com mais de 60 anos o objetivo deve ser níveis pressóricos abaixo 150/90 mmHg e para as demais faixas etárias abaixo de 60 anos 140/90 mmHg. Visando também simplificar o regime de medicamentos usados, foi sugerido que diuréticos tiazídicos devem ser o tratamento inicial para a maioria dos pacientes.

A comissão conclui também que considera importante alcançar essas metas, manter monitorado e sob controle os níveis pressóricos dos pacientes bem como estimular mudanças no estilo de vida que colaborem para a redução da pressão arterial.

A controvérsia surgiu em 14 de janeiro, quando cinco dos dezessete autores, publicaram na revista Annals of Internal Medicine (http://annals.org/article.aspx?articleid=1813288) um artigo manifestando desacordo com esta mudança, afirmando que rejeitam os novos alvos do tratamento, prevendo que a tolerância de níveis mais elevados que o anteriormente recomendado poderá acarretar consequências danosas.

A posição do DEPARTAMENTO DE HIPERTENSÃO DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE CARDIOLOGIA (http://departamentos.cardiol.br/sbc-dha/profissional/nota.asp) - "Manter a pressão próxima aos famosos números "12 por 8" (120 /80 mmHg) continua a ser o ideal, porém, para muitas pessoas hipertensas, principalmente acima de 60 anos, reduzir a pressão arterial com o tratamento em níveis um pouco acima dessa meta pode ser considerado satisfatório. As recomendações não substituem o julgamento clínico, que individualmente pode considerar adequados outros objetivos. "As decisões médicas devem cuidadosamente considerar e incorporar as características clínicas e as circunstâncias de cada paciente para o estabelecimento de metas individuais." 

Análise adicionas serão necessárias para um julgamento mais consistente dos valores a serem alcançadas em cada caso, de qualquer forma, as recomendações para controles regulares da pressão arterial, procurar manter hábitos de vida saudáveis e visitas periódicas ao médico assistente são importantíssimas, pois, a elevação da pressão arterial em geral não é proporcional aos sintomas desencadeados e as consequências podem ser devastadoras.

Confira também o artigo do JAMA sobre o assunto: http://jama.jamanetwork.com/article.aspx?articleid=1791497

Fontes: 
The Journal of the American Medical Association (JAMA), de 18 de dezembro de 2013.

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