Correr com segurança

Correr com segurança
Há na atualidade um enorme esforço para que as pessoas pratiquem atividade física, entidades médicas, empresas e profissionais da área da saúde utilizam todo o tipo de mídia para divulgar os benefícios do exercício para a saúde. Contudo, a atividade esportiva que mais cresceu nos últimos 10 anos foi a corrida de rua. São milhares de provas distribuídas nos mais variados locais no Brasil e no mundo, durante o ano todo. 

Estima-se que cerca de cinco milhões de pessoas participam de corridas de rua. Cresce o número de competidores, de ambos os sexos em diferentes faixas etárias. Este contingente, todo dependendo da condição financeira, pode se deslocar milhares de kilometros e mesmo atravessar oceanos motivados pela competição. Estatísticas demonstram, porém, que os cuidados médicos relativos à avaliação pré-participação muito frequentemente são negligenciados.

Todos os indivíduos que pretendem iniciar um determinado exercício, e a corrida de rua não é diferente, devem ser submetidos a uma avaliação médica para prevenir eventos e principalmente a morte súbita.  A morte súbita de origem cardíaca é aquela que é inesperada, não traumática e não violenta e que ocorre dentro de 1 hora do início dos sintomas, em indivíduo que não tenha doença cardiovascular previamente reconhecida ou diagnosticada. A incidência de morte súbita aumenta com a idade, ocorrendo mais frequentemente em homens, numa relação 10:1 em comparação às mulheres.

As principais causas de morte súbita em pessoas com idade inferior a 35 anos são decorrentes de anormalidades das estruturas cardíacas. Acima dos 35 anos a doença aterosclerótica ocorre em mais de 80% das mortes súbitas cardíacas, geralmente durante atividades esportivas mais intensas, como corridas de longa distância. 

Associações médicas como American Heart Association e Sociedade Brasileira de Cardiologia recomendam avaliações antes da participação em eventos esportivos. Até 35 anos um exame médico e a realização de eletrocardiograma poderá ser suficiente, a indicação de outros exames dependerá da situação de cada individuo. Acima dos 35 anos o teste ergométrico estaria indicado. 

Este questionário abaixo foi elaborado para orientar a avaliação médica e auxiliar na estratificação de risco pré-participação: 
    1) tem sentido desconforto, dor ou pressão torácica durante a realização do exercício? 
    2) apresentou síncope ou pré-síncope durante ou após exercício? 
    3) tem sentido palpitações durante a atividade física? 
    4) já teve diagnóstico de sopro cardíaco, pressão alta, elevação de colesterol ou infecção cardíaca? 
    5) seu médico já pediu exames cardiológicos complementares anteriormente?
    6) alguém da família com morte súbita sem razão aparente? 
    7) algum familiar com cardiopatia diagnosticada? 
    8) alguém da família com morte súbita ou morte por causa cardiovascular antes dos 50 anos de idade?
    9) alguém na família com Síndrome de Marfan?

Se houver respostas positivas para estes questionamentos, é provável que o teste ergométrico possa ser indicado na avaliação inicial de atletas em qualquer faixa etária como parte da estratégia de identificação precoce de doença cardiovascular. Da mesma forma o teste cardiopulmonar (ergoespirometria) oferece subsídios adicionais importantes que poderão orientar mais cientificamente o treinamento ou para ter uma maior segurança na caracterização de um baixo risco clínico para eventos cardiovasculares desfavoráveis, especialmente naqueles que possuem fatores de risco coronariano, será cada vez mais comum em nosso meio.  

Recentemente foi publicada a nova Diretriz em Cardiologia do Esporte e do Exercício da Sociedade Brasileira de Cardiologia e da Sociedade Brasileira de Medicina do Esporte: Arq Bras Cardiol. 2013; 100(1Supl. 2): 1-41 onde há orientações e normas abrangentes sobre a pratica do exercício físico de forma segura e eficaz. 

Se pretende competir na corrida de rua não negligencia sua saúde faça uma avaliação médica antes de participar 
Fonte: http://publicacoes.cardiol.br/consenso/2013/diretriz_esporte.pdf

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